Para publicação imediata

 


Cientistas advertem:
"Não aprovem alimentos modificados
pela Engenharia Genética"

 

A segurança do uso da soja transgênica que está sendo aprovada pelo Governo Brasileiro ainda não foi comprovada. Não foi cientificamente estabelecido que ela esteja isenta de substâncias nocivas à saúde. Também não foi estabelecido que ela seja segura do ponto de vista ecológico. O mesmo se aplica aos alimentos transgênicos em geral. Portanto, nem a soja transgênica nem outros alimentos transgênicos devem ser aprovados para alimentação ou para plantio. Pelo contrário, uma moratória global sobre a liberação de organismos transgênicos e sobre o seu uso como alimento deve ser implementada imediatamente.

 

Esta é a mensagem que os "Médicos e Cientistas pela Aplicação Responsável da Ciência e da Tecnologia" (Physicians and Scientists for Responsible Application of Science and Technology -–PSRAST) enviam hoje ao Governo Brasileiro. Esta rede global de médicos e cientistas concluiu que a exploração de organismos transgênicos para a produção de alimentos, no atual estágio de conhecimento sobre seus riscos para a saúde humana e o meio ambiente, ainda totalmente incompleto, é de grande irresponsabilidade.

 

O Dr. Liebe Cavalieri, Professor Pesquisador no Purchase College, da Universidade Estadual de Nova Iorque, e autor do livro "A Hélice de Dois Gumes: A Engenharia Genética no Mundo Real", afirma: "O potencial destrutivo dos alimentos transgênicos ainda não foi devidamente avaliado. O mais importante é que nós, cidadãos e cientistas, nos perguntemos, "Será que realmente precisamos de alimentos transgênicos?"

 

Frequentemente, os defensores da Biotecnologia apontam o fato de que mais do que 500 testes realizados em campo ainda não demostraram nenhum efeito nocivo dos alimentos transgênicos sobre o meio ambiente. "Isto é enganoso", diz o Dr. Philip Regal, Professor de Ecologia, Evolução e Comportamento na Universidade de Minnesota, EUA. Ele vem lidando com os riscos da liberação de organismos transgênicos a mais de 15 anos. "Em geral, a extensão da maioria destes estudos tem sido muito limitada para que se possa de fato avaliar seus efeitos ambientais" (ver (http://www.psrast.org/pjrisk.htm).

 

É cada vez maior o número de países, especialmente a maioria dos países Europeus, mas também a Índia, o Japão, a Nova Zelândia e a Austrália, nos quais a resistência dos consumidores em relação aos alimentos transgênicos vem aumentando de forma constante. Mesmo nos Estados Unidos, pesquisas de opinião indicam uma rejeição crescente por parte da população. "É evidente que a maioria dos consumidores não quer alimentos transgênicos. Cabe aos fornecedores satisfazer os desejos e as necessidades dos consumidores. Essa é uma oportunidade única para o Brasil se diferenciar dos outros fornecedores", diz o Dr. Evert Gummesson, Professor de Administração e Diretor do Departamento de Administração da Universidade de Stockholm, Suécia.

 

"Devido à grave insuficiência dos métodos de avaliação de biosegurança utilizados atualmente, o uso de alimentos transgênicos não passa de um experimento cego com a saúde dos consumidores. Continuar com o seu plantio significa expor o meio ambiente a perigos desconhecidos que podem ser irreparáveis pois, uma vez liberados na natureza, os genes não poderão ser recolhidos caso seja verificado algum efeito nocivo", diz o Presidente da PSRAT, Dr. Jaan Suurküla.

 

/FIM

Médicos e Cientistas pela Aplicação Responsável
da Ciência e da Tecnologia

E-mail: psrat@swipnet.se. Site na Web: http://www.psrast.org/index.htm

 Contato:

Dr Samuel Wallace MacDowell, Ph.D. em Biologia Molecular. Assessor Parlamentar. Telefone: 061-2444463 Fax: 061-4436961

Dr. Jaan Suurküla MD, Presidente do PSRAST, Tel: +46 322 622966 (Suécia). Fax: +46 322 620944

 


 

Médicos e Cientistas a Favor da Aplicação Responsável da Ciência e da Tecnologia (PSRAST)

 

Ao Governo Brasileiro

 

Como os senhores certamente sabem, pesquisas de opinião tem mostrado repetidamente que a maioria dos consumidores europeus estão posicionados contra o uso de alimentos transgênicos, exigindo a rotulagem de tais alimentos. Mesmo nos EUA, uma maioria também passou a exigir a rotulação.

 

Os defensores da biotecnologia vem persistentemente mantendo que isto não passa de um "problema de atitude" que pode ser retificado através de informação "adequada". Eles afirmam que tudo isso não passa de uma expressão de ignorância e de medos irracionais em relação a uma nova tecnologia, ou de concepções religiosas. No entanto, isto está longe de ser correto. A resistência dos consumidores não é um "problema de atitude". Na verdade, é a expressão do fato de que os consumidores em muitos países, especialmente na Europa, estão bem informados a respeito dos alimentos modificados geneticamente e não aceitam as afirmações dos proponentes da biotecnologia de que estes sejam seguros.

 

Algumas das declarações enganosas ou falsas dos defensores da biotecnologia:


1. "A engenharia genética é apenas uma variedade do melhoramento convencional" (Conseqüentemente não é legalmente justificável introduzir regulamentos que considerem as variedades e alimentos transgênicos diferentes dos não transgênicos)

 

A verdade é que a engenharia genética é fundamentalmente diferente do melhoramento genético. Devido à inserção artificial de genes estranhos, substâncias nocivas podem aparecer de forma inesperada. Isto é um fato científico, experimentalmente comprovado. Para uma explicação detalhada deste assunto, favor se referir ao nosso artigo na http://www.psrast.org/mianbrbr.htm


2. "Os alimentos transgênicos foram cuidadosamente testados e sua segurança comprovada"

 

A verdade é que, da maneira como são testados atualmente, não se pode afirmar que os alimentos modificados geneticamente sejam seguros. Os testes requeridos para aprovação pelo FDA ou EU (baseados no princípio de eqüivalência substancial) são tão precários que existe um grande risco de que substâncias nocivas inesperadas não sejam detectadas. Para uma explicação detalhada deste assunto, favor consultar nosso artigo "Eqüivalência substancial versus avaliação científica da segurança alimentar" na http://www.psrast.org/subeqow.htm


3. "Não existem evidências de que os organismos modificados geneticamente sejam nocivos ao meio ambiente"

 

A verdade é de que não existe nenhuma evidência de que estes organismos não sejam nocivos ao meio ambiente. Um grande número de testes de campo já foram realizados, mas, na sua grande maioria, de forma superficial e sem que fossem incluidas investigações mais amplas dos impactos ecológicos a longo prazo. O conselheiro do Parlamento Europeu, Dr. René Von Scomberg, disse em janeiro de 1998: "O conhecimento atual não nos permite prever os efeitos a longo prazo de liberar organismos transgênicos no meio ambiente. Portanto, está além da competência do sistema científico responder a tais questões..." (ver http://www.psrast.org/eudircom.htm ). Além do mais, existem inúmeras razões para se esperar a ocorrência de distúrbios ecológicos que, pela natureza da tecnologia empregada, provavelmente serão, na sua maioria, impossíveis de reparar (veja por exemplo:

http://www.psrast.org/ctenvir.htm).

 

Enquanto isso, nós esperamos que o Governo Brasileiro possa se dar conta de que foi induzido em erro pelos defensores da biotecnologia.

 

A verdade é que o conhecimento que se tem sobre as consequências ambientais e sobre a segurança dos alimentos transgênicos para a saúde humana é ainda extremamente limitado para se poder justificar qualquer tipo de aprovação. Esta é a razão pela qual nós exigimos uma moratária global sobre a liberação e o uso de alimentos transgênicos. Sobre este assunto consultar http://www.psrast.org/declport.htm

 

Physicians and Scientists for Responsible Application
of Science and Technology (PSRAST)

Médicos e Cientistas a Favor da Aplicação Responsável
da Ciência e da Tecnologia